"Solidão"

Ebook oferecido aos autores por Paulo Nunes Junior

 

QUANDO A SOLIDÃO APRISIONA O POETA

A RIMA SE FAZ ESPONTÂNEA...

Paulo Nunes Junior

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Da Solidão

Da solidão muito pode dizer-se, mas pouco com propriedade; propriedade quer dizer mesmo, senti-la propriamente. Este sentimento não é certamente igual em cada um de nós. Se há pessoas que a detestam, por causa dos seus ingredientes: a tristeza e a dor, há outras que a escolhem para companhia, e não a sentem de igual modo. Há ainda pessoas a morrer dela, e outros que dela fruem as melhores horas de recolhimento.
 
A obra literária é mesmo um exercício de solidão acompanhada. Acompanhada por outros livros que se lêem na aparente solidão absoluta. Nessa solidão a companhia está na imaginação dos criativos, e ela não pára: a construção de cenários, a caracterização de personagens, o ambiente exterior e interior, o movimento e a acção do(s) protagonista(s) e figurantes, a construção interior das emoções e a arquitectura de toda a estrutura.
 
Voltando às poesias, nesta ciranda cada um fala de si. Todos os autores são diferentes, todos exprimem o seu imo; esse lugar que se encontra no âmago de cada um. Veja como cada um construíu o desenvolvimento do tema, no recurso ao verbo e ao modo.
 
Se a pendência é para uma solidão que desespera, nem sempre se dá essa dimensão traumática a este sentimento. Às vezes, ela é vista como a expiação da dor insuportável recorrendo o paciente a outros prazeres de viver: a leitura, por exemplo, a audição de boa música, viajar, desenvolver hobbies. Eu creio que é mesmo a poesia a causa de não haver mais suicídios por causa da solidão. Quem a exterioriza pela escrita, está a exorcizá-la, e quem não escreve, lê certamente textos optimistas que lhe animam a vida.
 
Poderá haver também quem não conheça bem o significado da palavra solidão, e a entenda como desânimo. Não são evidentemente a mesma coisa. O desânimo é momentâneo, a solidão é longa e pode levar à desistência da vida física, não sendo senão uma sucessão imensa e prolongada de desânimos que podem atingir um possível desfecho trágico.
 
Sabermos animar a vida, também faz parte duma aprendizagem mais abrangente da nossa maneira de encarar esta passagem pelo planeta; não só de a encarar, como também saber ultrapassar as contrariedades e vicissitudes, que acontecem invariavelmente no trajecto a percorrer, e ainda saber ajudar os outros a dar a volta por cima no caso de experimentarem acidentes trágicos; esses que podem destruir vidas no desespero da solidão.
 
Daniel Cristal

 

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